Se você considera o tédio algo negativo, saiba que, na verdade, o tempo ocioso pode ser benéfico para o cérebro, especialmente na infância. Mas vale o alerta: aquele período “fazendo nada” com os olhos grudados na tela — geralmente recebendo uma avalanche de informações ou estímulos — não conta, independentemente da idade.
Segundo André Ceballos, neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, o tédio é um espaço fértil para o desenvolvimento. Quando a criança recebe estímulos externos de forma constantemente, cria-se a oportunidade de se conectar com a sua “voz interna”.
“Esse ‘vazio’ favorece processos de autorregulação emocional, reflexão sobre experiências passadas, planejamento e até mesmo o exercício da gratidão pelo presente. Ao lidar sozinha com esse momento, a criança fortalece a autonomia, a tolerância à frustração e a capacidade de transformar o tempo em algo criativo”, explica.
Tempo livre estimula a imaginação
O tempo livre é um convite natural à imaginação. O dr. André explica que a ausência de atividades dirigidas ou estímulos prontos incentiva a criança a buscar soluções próprias, conectar ideias e explorar novos papéis. “Esse espaço livre alimenta a curiosidade inata e impulsiona descobertas, transformando objetos simples e experiências cotidianas em grandes aventuras criativas.”
Em contrapartida, o uso excessivo de telas substitui o tempo ativamente criativo por estímulos prontos e passivos, o que pode levar à rigidez cognitiva, diminuição da capacidade de abstração e desregulação emocional.
“Ao contrário da brincadeira livre, que estimula múltiplas áreas do cérebro, o tempo excessivo diante das telas restringe as possibilidades de experimentação, reduzindo a diversidade de estímulos fundamentais ao desenvolvimento saudável”, esclarece.


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