A cena é comum em muitas casas: a criança aceita arroz, feijão, legumes… mas trava quando o assunto é carne. Mastiga, cospe ou, simplesmente, recusa. Para os pais, surge a dúvida: é “fase”, seletividade alimentar ou algo mais? Segundo especialistas, a resposta pode estar — literalmente — na textura.
De acordo com a nutricionista infantil Melina Cortegoso, a recusa isolada da carne nem sempre indica seletividade alimentar. “A seletividade envolve uma recusa mais ampla, com pouca variedade no dia a dia. Quando a dificuldade é específica com a carne, geralmente, estamos diante de uma questão de textura e habilidade de mastigação”, explica.
Isso acontece porque a carne exige mais coordenação oral. “Até pouco tempo, o leite supria todas as necessidades da criança, sem exigir esforço. De repente, ela precisa lidar com alimentos sólidos, e a carne é um dos mais desafiadores”, diz a especialista.
Textura, mastigação e desenvolvimento
A mastigação da carne envolve força, coordenação e mobilidade da língua, habilidades que ainda estão em desenvolvimento na infância. Por isso, não é raro que crianças prefiram alimentos mais macios.
Além disso, há fatores que podem dificultar ainda mais esse processo. Um deles é a anquiloglossia, condição conhecida como “língua presa”. “A língua é essencial para mastigar e organizar o alimento na boca. Quando há limitação no início da vida, a criança pode não desenvolver completamente essas habilidades”, afirma Melina.
Mesmo após cirurgia corretiva, algumas crianças podem manter dificuldade com texturas. Nesses casos, estímulos específicos, com ajuda de uma fonoaudióloga, podem ser necessários para aprimorar a mastigação.


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